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:: Saúde


A MORTE SÚBITA NO ESPORTE (1)
A morte, ao vivo e a cores!

Dr. Nabil Ghorayeb
ghorayeb@cardiol.br


Nos últimos anos em nosso país, ocorreram mortes de atletas em corridas populares como a São Silvestre, jogos de futebol e em outros eventos esportivos porém quase nada se falou. A recente e dramática morte súbita de um atleta foi manchete mundial, por ter acontecido num jogo do esporte mais popular do mundo, o futebol, ao vivo e a cores pela TV.

O primeiro relato de morte súbita relacionada à atividade física intensa ou esportiva, foi a do soldado grego Pheldippides, mensageiro da vitória dos gregos sobre os persas em 490 AC. Em virtude da freqüência relativamente baixa, quando comparada às causas de óbito em geral, os eventos desse tipo num atleta foram na maioria das vezes rotulados de maneira vaga apenas como morte súbita, sem de fato, um conhecimento mais profundo da real causa dessa morte.


O atleta é um verdadeiro ícone físico da raça humana, símbolo de saúde, que ao desabar em campo mostrou a impotência dos que deveriam ser as salvaguardas da terrível situação de morte inesperada na atividade esportiva. O que vimos e o que se seguiu nos induz à várias reflexões em relação aos fatos, mesmo que não nos digam nada diretamente.

A visão da tragédia deve servir para inúmeros ensinamentos, pois o que se viu foi uma lenta reação inicial, inútil com aqueles tapinhas no rosto para acordá-lo!! As manobras de ressuscitação segundo o jornal L’equipe demorou sete minutos, além de que não havia desfibrilador na beira do campo, como recomendam as diretrizes internacionais de suporte básico de vida. Agora se esses fatos ocorressem por aqui estaríamos prontos e equipados?

Acontece que entre nós também tem acontecido. Semanas atrás um jovem jogador do Criciúma teve morte súbita no treino e a família impediu a necropsia (poderiam faze-lo?) conseguindo um atestado de óbito com diagnóstico de infarto, vejam só. As notícias jornalísticas sobre atletas que tiveram morte súbita dizem sempre que causa foi infarto, seria verdadeiro?? Não nos parece, pois a literatura internacional relata que antes dos 35 anos as causas mais freqüentes são cardíacas em 80 a 90 %, porém as causas foram certas cardiopatias genéticas, congênitas e infecciosas por viroses e entre nós não esqueçamos que a doença de Chagas ainda está presente.

Atletas sejam amadores ou profissionais podem ser portadores de problemas cardiovasculares e a prevenção do risco de complicações depende do exame clínico chamado de avaliação pré-participação, única maneira de evitar ou diminuir as tragédias. Essa avaliação é composta do que foi estabelecido como rotina há mais de 20 anos no primeiro Serviço de Cardiologia do Esporte (Seção Médica de Cardioesporte) em nosso país, no Instituto Dante Pazzanese, avaliação clínica, eletrocardiograma, exames de laboratório, Raios-X de tórax, teste ergométrico feito por cardiologista e ecocardiograma.

Nós que vivemos o esporte sadio deveríamos exigir uma a promulgação de uma lei, como na ITÁLIA, JAPÃO e outros países onde todos os atletas amadores ou profissionais participantes de competições oficiais devem se submeter à exames clínicos pré-participação.

O novíssimo código do torcedor está em vigor, mas será que todos os estádios e ginásios já estão adaptados? Existe um tempo para adaptação, mas para início de conversa, vamos exigir que em todos eventos esportivos tenhamos equipe de atendimento à emergências de Suporte Básico de Vida, organizadas como uma "CIPA", treinada e equipada para eventos cardiovasculares com disfibriladores e outros materiais etc.

Na mais recente Maratona de S Paulo, havia equipe médica e paramédica de resgate treinada para emergências de todo tipo, mas nos outros inúmeros eventos esportivos no Brasil? Cabe a nos agirmos, vamos contactar as autoridades políticas e exigir que o estatuto do torcedor seja cumprido imediatamente no item emergência, tanto para o atleta e como para os torcedores. Chega de cadastrar mortes no esporte, são poucas, mas ela poderia ser do seu... ! 

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